A importância da qualidade da proteína

O aumento da preocupação com a qualidade de vida, trouxe à tona a discussão sobre a importância do consumo de proteínas, durante toda a vida. Hoje, é muito comum associar o consumo proteico aos atletas e praticantes de atividade física. Porém, o seu consumo em quantidade adequadas é fundamental para qualquer pessoa.


Além do fornecimento de energia para o organismo, o ganho e a manutenção da massa muscular, favorecidos pelo consumo proteico, são essenciais para a sustentação do corpo e para a realização de atividades funcionais básicas¹ em todas as idades. E para que esse processo ocorra de forma adequada é necessário associar a ingestão adequada de proteína à prática de atividade física, principalmente durante o envelhecimento, pois é nessa fase que ocorre a diminuição progressiva da massa muscular².


Um dos fatores determinantes para a síntese proteica, além da quantidade ingerida, é a qualidade da proteína, que é determinada pelos aminoácidos presentes em sua composição, bem como a concentração dos mesmos 3 . Os aminoácidos são nutricionalmente classificados como: essenciais, aqueles que o organismo não é capaz de sintetizar, devendo ser obtidos através da alimentação, e não essenciais, que podem ser sintetizados pelo organismo em quantidade adequada para garantir o crescimento, o desenvolvimento e a saúde, não sendo necessária sua obtenção pela alimentação 4 .


Portanto, proteínas de boa qualidade, ou de alto valor biológico, são aquelas que possuem todos os aminoácidos essenciais em proporções adequadas 5 , como a albumina, a caseína e a proteína do soro do leite 6 . Enquanto as proteínas de baixa qualidade, ou de baixo valor biológico, são aquelas que não possuem todos os aminoácidos essenciais em quantidade adequadas. Dessa forma, a alimentação saudável deve priorizar o consumo de proteínas de alto valor biológico, que, por serem mais completas, fornecem ao corpo mais substratos necessários para a construção e a reparação muscular. Já a quantidade diária recomendada deve ser estipulada por um nutricionista, que é capaz de avaliar a real necessidade de cada um levando em consideração sexo, idade, prática de atividade física, condições clínicas e individualidade biológica, garantindo assim a estratégia mais assertiva para cada indivíduo.

Referências: 1. Tieland M, Borgonjen-Van den Berg KJ, Van Loon LJ, de Groot LC. Dietary protein intake in Dutch elderly people: a focus on protein sources. Nutrients. 2015;7(12):9697- 9706. 2. Amador-Licona N, Moreno-Vargas EV, Martinez-Cordero C. Ingesta de proteína, lípidos séricos y fuerza muscular en ancianos. Nutrición Hospitalaria. 2018;35(1):65-70. 3. Silva, MLN. Tratado de Nutrição e Gerontologia. São Paulo: Manole, 2016;532. 4. Hou Y, Yin Y, Wu G. Dietary essentiality of "nutritionally non-essential amino acids" for animals and humans. Exp Biol Med (Maywood). 2015;240(8):997-1007. 5. Mcardle, WD. Nutrição para o esporte e o exercício. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016;600. 6. Cozzolino S. Biodisponibilidade de nutrientes. 5 ed. Barueri: Manole, 2016;1478.